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08/05/2009

Planejamento Financeiro

Qual o percentual de pessoas que sabem o que estão fazendo ao investir?

Matéria da Infomoney
Por: Karin Sato
22/04/09 - 18h33

SÃO PAULO - Existem dois tipos de investidores. O primeiro é aquele que amadureceu junto com as mudanças do mercado e se profissionalizou, de alguma forma. Ele não entra em pânico quando crises como a atual acontecem, porque já passou por outras crises, anteriormente.

Esse tipo constitui cerca de 5% dos investidores. Trata-se de um grupo que, certamente, ganhou muito dinheiro desde 2002, com o crescimento dos IPOs (Initial Public Offering) na Bolsa. A explicação é do economista e professor de MBA Executivo da BBS (Brazilian Business School), Ricardo Della Santina Torres.

Os outros 95% dos investidores não sabem exatamente o que estão fazendo. "São pessoas que investem esporadicamente, e não enxergam o investimento como uma necessidade. Geralmente, confiam de forma quase cega no gerente do banco e, nos últimos tempos, têm mais perdido do que ganhado", explica.

Investir é uma necessidade
Torres garante: "investir é uma necessidade do ser humano". Não enxergar isso é o principal erro do investidor esporádico.

"É tão importante ganhar dinheiro quanto preservá-lo e aumentá-lo. Para mim, é uma obrigação do ser humano, uma necessidade de primeira ordem, e não um assunto secundário. Os investidores precisam acompanhar suas aplicações da mesma forma que acompanham a própria carreira", afirma.

"As pessoas que não sabem ao certo o que fazem quando aplicam seu dinheiro já partem da premissa de que não entendem nada do assunto, de que se trata de um tema complicado, e deixam para o gerente ou o consultor financeiro fazer tudo. Eles não se esforçam para entender o que está sendo feito com seu dinheiro. Eu mesmo já ouvi essa conversa diversas vezes", lamenta o professor de MBA Executivo.

Mercado financeiro não tem segredo
Ele enfatiza: não há segredos no mercado financeiro. E investir não é tão complicado quanto parece para esses 95% de investidores.

"Há quem simplesmente siga a dica do amigo. Foi caindo nessa armadilha que muitos entraram no mercado financeiro e tiveram um ganho tão grande que ficaram maravilhados. Na sequência, entretanto, perderam tudo e mais um pouco. O fato é que não existe milagre. Existe estudo, dedicação e percepção de risco", explica, ao citar uma frase do megainvestidor Warren Buffett: "Risco é a quantidade de ignorância que tenho com relação a alguma coisa".

Otimismo
Apesar de, no Brasil, a população não ter o costume de investir como em países como os Estados Unidos, onde até mesmo as crianças aplicam, Torres está otimista com relação ao avanço obtido até o momento. "Na média, o pequeno investidor brasileiro amadureceu muito. Por exemplo, nesta crise, observei que grande parte se segurou e não saiu correndo para tirar o dinheiro das aplicações, como ocorreu em crises anteriores", revela.

"Lembro-me que, no dia 17 de janeiro de 1999, houve uma maxidesvalorização do real, que foi seguida pelo pânico quase generalizado. Muita gente vendeu tudo que tinha aplicado. Em abril daquele mesmo ano, os preços voltaram ao patamar anterior".

Em sua tese, os brasileiros notaram que as crises são cíclicas, o que explica o menor pânico frente à turbulência econômica mais recente. Ele diz ainda que muitos pequenos investidores aproveitaram para apostar na Bolsa no momento de baixa observado no final do ano passado. "Estes estão felizes, porque, desde então, algumas ações já deram ganho de 100%", avalia.

fonte: infomoney

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